terça-feira, 10 de março de 2026

Prefeito Martinez esclarece impasse na coleta seletiva e anuncia contratação emergencial de empresa em Mamborê

Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (10/03) ao radialista professor James Correia, na Rádio União FM, o prefeito de Mamborê, Sebastião Martinez, tratou de um dos temas mais comentados na cidade nos últimos dias: a paralisação dos trabalhos da cooperativa de reciclagem e o atraso nos repasses aos associados.

Durante a conversa, o prefeito buscou esclarecer informações equivocadas que circularam em redes sociais e apresentou uma solução definitiva, pactuada com o Ministério Público e a Câmara de Vereadores, para que o serviço de coleta seletiva não seja interrompido.

Esclarecimento sobre o vínculo jurídico e os pagamentos

O prefeito esclareceu que as profissionais da reciclagem não são funcionárias da prefeitura, mas sim associadas à Coopermam (pessoa jurídica). O município mantém um contrato de auxílio/aporte financeiro com a cooperativa, pagando cerca de R$ 300,00 por cada tonelada, sendo limitado a 40 tonelada coletada (uma média de R$ 12 mil mensais), além de ceder o barracão, o caminhão, os equipamentos e custear as contas de água e luz.

Autonomia Financeira dos Associados

Diferente do que foi interpretado, os membros da cooperativa são trabalhadores autônomos associados. A renda principal do grupo provém da própria atividade comercial:

  • Venda Direta: Todo o material reciclável coletado é separado e vendido pela cooperativa.

  • Divisão de Lucros: O valor arrecadado com essas vendas é dividido em partes iguais entre os sócios. Sobre esse dinheiro, a prefeitura não tem qualquer gerência ou retenção.

O Papel do Município: O "Aporte de Incentivo"

O valor que gerou o impasse é, na verdade, um auxílio extra concedido pelo município para fomentar a coleta seletiva. O funcionamento é simples:

  • A prefeitura oferece um aporte de R$ 300,00 para cada tonelada, sendo limitada a 40 toneladas que a cooperativa consegue coletar e vender.

  • Este valor serve como um bônus para aumentar a renda dos associados, e não como um pagamento mensal por prestação de serviço fixo.

"É um auxílio a mais, um incentivo para que a cidade fique limpa e os coletores ganhem mais. O problema é que, para a prefeitura repassar esse bônus, a cooperativa precisa estar com a documentação em dia, o que não ocorreu", explicou o prefeito.


O motivo da interrupção dos pagamentos nos últimos dois meses foi estritamente legal:

  • Falta de Documentação: Para que a prefeitura realize qualquer aditivo contratual ou pagamento, a entidade beneficiada deve apresentar a Certidão Negativa atualizada.

  • Impedimento Legal: Como a Coopermam está com documentação irregular, o prefeito fica juridicamente impedido de assinar o repasse, sob pena de responder por improbidade administrativa.

Solução Emergencial: Contratação de Nova Empresa

Diante da paralisação por tempo indeterminado anunciada pelos cooperados e do risco de acúmulo de lixo nas ruas o que gera perigo à saúde pública e proliferação de insetos a administração municipal tomou as seguintes medidas após reunião com o Ministério Público e o Poder Legislativo:

  1. Contratação por 90 dias: Uma empresa privada, devidamente licenciada e com documentação ambiental em dia, assumirá a coleta seletiva em caráter de urgência a partir desta terça-feira (10).

  2. Estrutura de Trabalho: A empresa utilizará caminhão próprio, mas poderá utilizar o barracão e os equipamentos do município pelo período determinado.

  3. Aproveitamento de Mão de Obra: O prefeito destacou que os profissionais da antiga cooperativa que desejarem continuar trabalhando poderão ser contratados pela nova empresa, garantindo assim a continuidade de sua renda.

  4. Nova Licitação: Após o prazo emergencial de 90 dias, a prefeitura abrirá um processo licitatório definitivo para que empresas interessadas e regularizadas disputem o serviço.

Compromisso com os Trabalhadores e a Cidade

Sobre os dois meses que restaram em aberto para os antigos prestadores, Sebastião Martinez garantiu que a prefeitura irá realizar o pagamento dentro das formas estabelecidas pela lei, respeitando os prazos e a burocracia necessária para garantir a legalidade do ato.

"Enquanto eu estiver à frente do Executivo, o trabalho não vai parar. Tomamos essa decisão para evitar que o lixo se acumule e cause doenças. A coleta seguirá um cronograma rigoroso estabelecido pelo Departamento de Meio Ambiente para atender toda a população", afirmou o prefeito.

A partir de hoje, a coleta seletiva retoma seu calendário normal em bairros e conjuntos de Mamborê, agora sob a gestão da empresa licenciada.

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