terça-feira, 17 de junho de 2025

Brasil Conquista Status de País Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, Beneficiando Paraná e Exportações

O Brasil alcançou um marco histórico na saúde animal: o status oficial de território livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento foi concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após a certificação obtida em maio, durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), na França. O Paraná, que já detinha esse status há quatro anos, é um dos grandes beneficiados pela decisão.

Impactos Práticos para o Trânsito Animal e Produtores

A partir desta segunda-feira, 16 de junho, animais suscetíveis à febre aftosa podem transitar por todo o território nacional, desde que acompanhados dos documentos que comprovem a sanidade do rebanho. Anteriormente, o trânsito era restrito a poucos estados.

Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), explica a mudança prática: "Os produtores de animais bovinos vindos de outras áreas, como São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso Sul – estados que pararam a vacinação e tiveram o reconhecimento agora em maio – até então, não podiam transitar os animais no Paraná. Estávamos com essa diferença de estados sanitários e não havia possibilidade de entrada desses bovinos, como era antes do Paraná receber a certificação em 2019."

Novos Mercados e Economia para Produtores

Além de facilitar a movimentação animal interna, a certificação é um passo crucial para a conquista de novos mercados internacionais. Países asiáticos como Japão e Coreia do Sul exigem o status de área livre de febre aftosa sem vacinação para importar proteína animal.

Maira Polatti Tomaz Sypniewski, chefe da Divisão de Controle da Rastreabilidade Animal da Adapar, ressalta que, apesar do status sanitário unificado, a entrada de animais no Paraná ainda depende da comprovação de cuidados sanitários, exigindo a Guia de Trânsito Animal e demais documentos.

Outro benefício significativo é a redução dos custos de vacinação. O Mapa estima que cerca de 244 milhões de animais não precisarão ser vacinados, gerando uma economia de aproximadamente R$ 500 milhões. O Paraná, como maior exportador de proteína animal do Brasil, se beneficia diretamente dessas medidas de proteção em suas cadeias produtivas.

Desafios e Fortalecimento da Fiscalização

A certificação internacional traz novos desafios, como a implementação de processos de vigilância ativa baseada em risco e a atualização periódica dos rebanhos. Os órgãos de defesa agropecuária intensificarão esforços para habilitar frigoríficos, qualificando-os para a exportação.

A criação da Adapar em 2011 foi um marco para o Paraná, fortalecendo a fiscalização e elevando os padrões sanitários.

Histórico e Estratégias do Paraná

A imunização contra a aftosa foi interrompida no Paraná em 2019. Desde então, a vacinação foi substituída por uma Campanha de Atualização de Rebanhos anual, mantendo o cadastro obrigatório para rastreabilidade e sanidade.

Em 2021, o Paraná estruturou barreiras sanitárias nas divisas ao Norte, uma exigência do Ministério da Agricultura para a obtenzação do status. A medida, em parceria com o setor privado, complementou um inquérito epidemiológico que coletou amostras de quase 10 mil animais para comprovar a ausência do vírus.

Mercado de Suínos: Chile Abre as Portas

Um grande avanço recente para o Paraná foi a autorização do Chile para a exportação de proteína suína, comunicada no início de junho. O Paraná é o segundo maior produtor de suínos do Brasil, e essa parceria com um mercado de alta exigência sanitária abre novas oportunidades, impulsionando a produção no estado.

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