18 abril 2018

Polícia prende procurador e ex-secretários e desmantela “Mensalinho” em Luiziana

Foto: Fábio Linjardi/RPC
A Polícia Civil do Paraná está cumprindo na manhã desta quarta-feira (18), em Luiziana, 19 mandados judiciais, sendo 9 de prisão temporária e 10 de busca e apreensão com o objetivo de desmantelar um esquema de corrupção na cidade. A ação, denominada de Operação “Talha” é conduzida pelo Núcleo de Combate a Crimes Econômicos (Nurce), que levantou indícios de um ‘Mensalinho’ no município.
O procurador jurídico de Luiziana, Thiago Slongo, sobrinho do atual prefeito, e ex-secretários municipais são suspeitos de participar do esquema criminoso, de acordo com a Polícia Civil. 

Os mandados de prisão e apreensão foram deferidos pela 2º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Mais de 40 policiais civis participam da ação policial. Um dos alvos de mandado judicial foi a prefeitura de Luiziana. O Nurce suspeita que o dinheiro arrecadado ilegalmente foi para a campanha de reeleição do atual prefeito da cidade. Ele, porém, não é alvo de nenhuma medida judicial.

“O combate à corrupção é uma das principais diretrizes do trabalho das polícias do Paraná e do Governo do Estado. É necessária uma investigação profunda e isenta para chegar aos responsáveis pelo desvio de recursos públicos que acaba por prejudicar a população paranaense”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná Júlio Reis, em nota encaminhada à imprensa na manhã desta quarta.
Mandado de busca e apreensão foi cumprido na Prefeitura de Luiziana na manhã desta quarta-feira (18) (Foto: Fábio Linjardi/RPC)

Provas 


De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou há um ano depois que o Nurce recebeu uma representação da Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público Estadual. As provas coletadas durante a investigação revelam que alguns servidores públicos eram obrigados a devolver parte de seu salário para um caixa 2, visando financiar a reeleição do atual prefeito.

As investigações apontam que o esquema criminoso era operado por Thiago Slongo, sobrinho do prefeito, que de entregador de leite na cidade, se tornou Procurador Jurídico do Município. Com base em relatos e confissões de alguns envolvidos, foi pedido o afastamento do sigilo bancário dos servidores suspeitos, sendo elaborado um relatório pelo Laboratório de Lavagem de dinheiro da Policia Civil. A análise das contas bancárias mostrou indícios do esquema operado entre 2013 e 2016. 

Participam da operação policiais do Nurce, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Subdivisão Policial de Campo Mourão. O nome da operação – Talha - se refere ao tributo ou parte da produção paga pelos vassalos ao senhor feudal.



 Walter Pereira - Jornal Tribuna do Interior


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