18 novembro 2017

Paraná chega a 320 rádios comunitárias


A cada dez rádios comunitárias no Paraná, nove estão em cidades pequenas, com menos de 30 mil habitantes. Desse total, metade é o único órgão de imprensa do município. “Veja o papel social que uma rádio desenvolve.” A declaração é de Vandersom Dubinski, vice-presidente da Apracom (Associação Paranaense das Rádios Comunitárias).

Diretor da Rádio Cidade de Ararura, município que possui aproximadamente 14 mil habitantes, localizado na região de Campo Mourão, Dubinski divide seu tempo entre a empresa onde trabalha, a AJ Rorato, e o rádio, sua grande paixão.
Organizando encontros regionais das emissoras, esse entusiasta do rádio visitou a Agora Comunicação e externou a organização da entidade, da qual é mentor, e o papel exercido pelas emissoras em suas comunidades. Confira a entrevista:

JORNAL AGORA – Marginalizadas desde sua criação, nos anos 1990, as rádios comunitárias gozam de uma aceitação maior atualmente?
VANDERSOM DUBINSKI – Dentro do Paraná, que é a realidade que acompanho, observo que muitas rádios comunitárias estão se organizando de forma surpreendente, em virtude desse desejo e dessa paixão que muitas pessoas, que estão à frente, nutrem pelo rádio.

Quantas comunitárias o Estado possui hoje?
Isso até foi tratado em um encontro recente na cidade de Maringá, com rádios regionais. São 320 rádios comunitárias no Paraná. Dessas, 289 ficam em municípios com menos de 30 mil habitantes. Isso significa que 90% ficam em pequenas cidades.

O que isso significa em termos práticos?
Significa que, no levantamento que fizemos, em 180 municípios, quase metade do Estado, a rádio comunitária é o único veículo de comunicação daquela localidade.

Como foi a composição e organização da Apracom?
Nossa primeira assembleia estadual ocorreu no ano passado, em Campo Mourão. A entidade tem somente um ano de atividades e já estamos com 150 rádios associadas e pagando mensalidade, ou seja, metade das rádios existentes no Paraná está organizada conosco.

Qual a situação da maioria dessas rádios?
Vemos uma parcela funcionando de maneira muito estruturada, mas infelizmente muitas sofrem com a falta de recursos e a impossibilidade de fazer convênios com órgãos públicos, por exemplo, o que é uma de nossas bandeiras de luta. O que queremos é poder trabalhar e ter condições de manter uma estrutura, que a própria rádio oferece para a comunidade.

Há vários fatores limitadores às rádios comunitárias, como o seu raio de alcance e inserções publicitárias. A legislação é mais maleável atualmente?
Sim, houve muitos avanços, mas ainda encontramos muitas dificuldades para operar. Porém, no alcance, o que ocorre é uma limitação de potência em função de o transmissor de uma rádio comunitária ser menor, de 25 watts. Dependendo do local, o som vai mais longe por não haver outras rádios na mesma potência, por exemplo.

E a publicidade?
Está bem mais maleável também. Após a portaria 4.334/2015, houve um pouco de alívio para o setor, em uma situação que estava quase insustentável, com relação a não poder falar quase nada, como era, de poder falar apenas nome, endereço e telefone da empresa, o que era inviável.

A rádio comunitária surgiu como no país?
Foi por meio de uma lei federal, em 1998. Essa pergunta me permite explicar que o nascimento de uma rádio é como o nascimento de um bebê. Não é só criar, é preciso dar condições que permitam que a rádio sobreviva. A sociedade precisa compreender o tanto de serviços que uma rádio presta a sua comunidade em divulgação, atendendo entidades, enfim, abrindo portas para todos.

Quais os próximos passos da entidade?
São dois anos trabalhando desde que um grupo se juntou para organizar a entidade. Ano passado houve o Congresso Estadual em Campo Mourão e, para 2017, criamos encontros regionais entre as rádios. São seis encontros. Quatro já ocorreram, em Cascavel, Ponta Grossa, Goioerê e Maringá, e haverá dois ainda, em Francisco Beltrão e Londrina, aproximando as rádios de uma mesma região e levando informações técnicas aos nossos membros. O próximo encontro estadual será no ano que vem. O objetivo é fortalecer a entidade e ocupar um espaço que as rádios merecem e têm direito.

 Matéria publicada na 233ª edição do Jornal Agora

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